Na exposição “A Palavra é o Lugar: A Constituição da(s) Comunidade(s)”, com curadoria de Filipa Oliveira, Francisca Listopad e Paulo Pires do Vale na Assembleia da República e na Casa do Parlamento, o Four Flags Lisboa aparece integrado no percurso expositivo como uma instalação no jardim e nos espaços exteriores da Assembleia. A organização descreve as bandeiras como “dispositivos visuais de presença pública e comunicação”, ativando o espaço parlamentar como lugar de partilha simbólica.
A exposição principal utiliza a Constituição como ponto de partida para discutir liberdade, igualdade, habitação, cultura, participação democrática e direito de resistência. Nesse contexto, o Four Flags Lisboa acrescenta uma dimensão particularmente pública: em vez de a arte permanecer apenas dentro de uma sala, ela aparece no exterior, no alto da fachada e no campo de visão de quem circula pelo Parlamento.


Cortesia dos artistas e da curadora.
O projeto foi concebido por Luiza Teixeira de Freitas para a fachada da Galeria Zé dos Bois, em Lisboa. A proposta parte da bandeira como símbolo de identidade coletiva, território e ideologia, transformando-a num suporte para pensar a circulação da arte e das imagens no espaço urbano. As bandeiras funcionam, portanto, como obras de arte e como sinais de presença pública.
A primeira edição lisboeta ocorreu em 2020, num contexto de confinamento e encerramento de museus e galerias. Foram convidados 36 artistas, e as bandeiras eram hasteadas na fachada da ZDB, quatro de cada vez, com substituições semanais, ao longo de cerca de três meses. O projeto tinha também uma dimensão de apoio aos artistas: cada bandeira foi produzida numa edição de quatro exemplares mais uma prova de artista, e as vendas revertiam integralmente para os participantes.

Entre os artistas da edição original estavam Alexandre Estrela, Ana Jotta, Alice dos Reis, Alice Geirinhas, Belén Uriel, Carla Filipe, Diogo Bolota, Ellie Ga, Fernanda Fragateiro, Gabriel Abrantes, Gisela Casimiro, Gonçalo Pena, Horácio Frutuoso, Hugo Canoilas, Joana Escoval, Jorge Queiroz, Kiluanji Kia Henda, Luís Lázaro Matos, Pedro Barateiro, Sara Bichão, Sara Chang Yan, Susana Mendes Silva, Tomás Cunha Ferreira e Yonamine, entre outros.
A página oficial informa que cada bandeira será apresentada durante três dias, entre 23 de julho e 14 de outubro de 2026. As obras são identificadas como trabalhos de 2020, agora reapresentados nesse novo contexto institucional e político. Cada bandeira do projeto será apresentada durante três dias (entre 23.07 a 14.10).
A programação anunciada é:
- 23 de julho — Carla Filipe, Untitled
- 27 de julho — Alexandre Estrela, Bandeira da Madeira
- 29 de julho — Belén Uriel, Chove sobre molhado
- 31 de julho — Horácio Frutuoso, Save the Poem
- 3 de agosto — Alice dos Reis, Tiger Flu
- 5 de agosto — Fátima Moreno López, Sem título
- 7 de agosto — Ana Jotta, Bandeira Branca
- 10 de agosto — Gabriel Abrantes, Ovo
- 12 de agosto — Luís Lázaro Matos, Pangolin Republic
- 14 de agosto — Alice Geirinhas, Amore
- 17 de agosto — Diogo Bolota, Casa dos Pais
- 19 de agosto — Fernanda Fragateiro, obra sobre a manifestação de jovens negros na Avenida da Liberdade em 2019
- 21 de agosto — Gisela Casimiro, Cotton Revisited
- 24 de agosto — Ellie Ga, Sem título
- 26 de agosto — Joana Escoval, Autumn
- 28 de agosto — Yonamine, Sem título
- 31 de agosto — Hugo Canoilas, Quotidiano
- 2 de setembro — Jorge Queiroz, Sem título
- 4 de setembro — Lou Vives, Desire is all about delay
- 7 de setembro — Pedro Barateiro, Abismo: list of events
- 9 de setembro — Pedro Neves Marques, Sex as Care
- 11 de setembro — Gonçalo Pena, Sem título
- 14 de setembro — João Marçal, Hand Grabbing a Horseshoe
- 16 de setembro — Kiluanji Kia Henda, The Bang Flag
- 18 de setembro — Mattia Denisse, PATARIDE
- 21 de setembro — Rodrigo Garcia Dutra, IN FIERI
- 23 de setembro — Mané Pacheco, Jolly Roger
- 25 de setembro — João Maria Gusmão, Pálpebra
- 28 de setembro — Sílvia Prudêncio, Sem título
- 30 de setembro — Tiago Batista, Sem título
- 2 de outubro — Sara Bichão, Antes que adoeça
- 6 de outubro — Pedro Henriques, tema livre
- 9 de outubro — Tomás Cunha Ferreira, Suntitled
- 12 de outubro — Susana Mendes Silva, Voice-over
- 14 de outubro — Sara Chang Yan, Space
A mostra pode ser visitada gratuitamente na Assembleia da República e na Casa do Parlamento, em Lisboa, de 23 de julho a 30 de novembro de 2026, normalmente entre as 10h e as 18h, conforme a agenda oficial.


Somos feitos de palavras.
Com elas damos sentido aos dias, nomeamos e significamos o mundo, narramos o nosso passado, projetamos e antecipamos futuros, tentamos controlar o tempo, abrimos fendas na realidade, criamos comunidades. Nascer é ser lançado num emaranhado de palavras, numa teia de muitas narrativas e propostas de sentido.
Celebrar os 50 anos da nossa Constituição é relembrar, antes de mais, o poder da palavra e como ela nos orienta, pessoal e comunitariamente.
A Constituição tem um poder fundador: o de constituir, de construir, de abrir o chão comum que habitamos.
Num tempo de desconfiança das palavras, queremos regressar a essa fonte original e essencial da vida em comum. Com a força e a fragilidade que temos de saber refletir e enfrentar. Escolhemos, assim, muitas obras e artistas que usam a palavra como meio essencial para o seu trabalho ou reconhecem na linguagem artística uma poderosa força política, e que nos ajudam, também, a pensar a Constituição como farol, chave hermenêutica do presente e antídoto contra a atrofia da imaginação.
Esta exposição ocupa o espaço público, a rua, o jardim, porque a palavra, e a Constituição como discurso, é o lugar onde aprendemos a viver juntos.
Filipa Oliveira, Francisca Listopad e Paulo Pires do Vale
A Palavra é o Lugar: A Constituição da(s) Comunidade(s)
50 anos de liberdade e democrac

E PELO PODER DE UMA PALAVRA
RECOMEÇO A MINHA VIDA
NASCI PARA TE CONHECER
PARA TE NOMEAR
LIBERDADE
PAUL ELUARD

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