Arquivo Vivo

Epistolário com a Máquina. Um espaço em processo, em que pintura, escultura, escrita e pensamento se enredam como organismos em formação contínua. Entre estratos de tinta, carvão, luz e silêncio, emergem diálogos com a máquina, fragmentos de mundo e formas se apresentam. Este não é um arquivo estável: é um campo de escuta, fricção e matéria em transformação.

A Palavra é o Lugar: A Constituição da(s) Comunidade(s)

Na exposição “A Palavra é o Lugar: A Constituição da(s) Comunidade(s)”, com curadoria de Filipa Oliveira, Francisca Listopad e Paulo Pires do Vale na Assembleia da República e na Casa do Parlamento, o Four Flags Lisboa aparece integrado no percurso expositivo como uma instalação no jardim e nos espaços exteriores da Assembleia. A organização descreve as bandeiras como “dispositivos visuais de presença pública e comunicação”, ativando o espaço parlamentar como lugar de partilha simbólica.

“A Palavra é o Lugar: A Constituição da(s) Comunidade(s)” é uma exposição de arte contemporânea em Lisboa que celebra os 50 anos da Constituição da República Portuguesa.

A exposição principal utiliza a Constituição como ponto de partida para discutir liberdade, igualdade, habitação, cultura, participação democrática e direito de resistência. Nesse contexto, o Four Flags Lisboa acrescenta uma dimensão particularmente pública: em vez de a arte permanecer apenas dentro de uma sala, ela aparece no exterior, no alto da fachada e no campo de visão de quem circula pelo Parlamento.

Four Flags Lisboa 2020
Cortesia dos artistas e da curadora.

O projeto foi concebido por Luiza Teixeira de Freitas para a fachada da Galeria Zé dos Bois, em Lisboa. A proposta parte da bandeira como símbolo de identidade coletiva, território e ideologia, transformando-a num suporte para pensar a circulação da arte e das imagens no espaço urbano. As bandeiras funcionam, portanto, como obras de arte e como sinais de presença pública.

A primeira edição lisboeta ocorreu em 2020, num contexto de confinamento e encerramento de museus e galerias. Foram convidados 36 artistas, e as bandeiras eram hasteadas na fachada da ZDB, quatro de cada vez, com substituições semanais, ao longo de cerca de três meses. O projeto tinha também uma dimensão de apoio aos artistas: cada bandeira foi produzida numa edição de quatro exemplares mais uma prova de artista, e as vendas revertiam integralmente para os participantes.

Four Flags Lisboa – Galeria Zé dos Bois

Entre os artistas da edição original estavam Alexandre Estrela, Ana Jotta, Alice dos Reis, Alice Geirinhas, Belén Uriel, Carla Filipe, Diogo Bolota, Ellie Ga, Fernanda Fragateiro, Gabriel Abrantes, Gisela Casimiro, Gonçalo Pena, Horácio Frutuoso, Hugo Canoilas, Joana Escoval, Jorge Queiroz, Kiluanji Kia Henda, Luís Lázaro Matos, Pedro Barateiro, Sara Bichão, Sara Chang Yan, Susana Mendes Silva, Tomás Cunha Ferreira e Yonamine, entre outros.

A página oficial informa que cada bandeira será apresentada durante três dias, entre 23 de julho e 14 de outubro de 2026. As obras são identificadas como trabalhos de 2020, agora reapresentados nesse novo contexto institucional e político. Cada bandeira do projeto será apresentada durante três dias (entre 23.07 a 14.10).

A programação anunciada é:

  • 23 de julho — Carla Filipe, Untitled
  • 27 de julho — Alexandre Estrela, Bandeira da Madeira
  • 29 de julho — Belén Uriel, Chove sobre molhado
  • 31 de julho — Horácio Frutuoso, Save the Poem
  • 3 de agosto — Alice dos Reis, Tiger Flu
  • 5 de agosto — Fátima Moreno López, Sem título
  • 7 de agosto — Ana Jotta, Bandeira Branca
  • 10 de agosto — Gabriel Abrantes, Ovo
  • 12 de agosto — Luís Lázaro Matos, Pangolin Republic
  • 14 de agosto — Alice Geirinhas, Amore
  • 17 de agosto — Diogo Bolota, Casa dos Pais
  • 19 de agosto — Fernanda Fragateiro, obra sobre a manifestação de jovens negros na Avenida da Liberdade em 2019
  • 21 de agosto — Gisela Casimiro, Cotton Revisited
  • 24 de agosto — Ellie Ga, Sem título
  • 26 de agosto — Joana Escoval, Autumn
  • 28 de agosto — Yonamine, Sem título
  • 31 de agosto — Hugo Canoilas, Quotidiano
  • 2 de setembro — Jorge Queiroz, Sem título
  • 4 de setembro — Lou Vives, Desire is all about delay
  • 7 de setembro — Pedro Barateiro, Abismo: list of events
  • 9 de setembro — Pedro Neves Marques, Sex as Care
  • 11 de setembro — Gonçalo Pena, Sem título
  • 14 de setembro — João Marçal, Hand Grabbing a Horseshoe
  • 16 de setembro — Kiluanji Kia Henda, The Bang Flag
  • 18 de setembro — Mattia Denisse, PATARIDE
  • 21 de setembro — Rodrigo Garcia Dutra, IN FIERI
  • 23 de setembro — Mané Pacheco, Jolly Roger
  • 25 de setembro — João Maria Gusmão, Pálpebra
  • 28 de setembro — Sílvia Prudêncio, Sem título
  • 30 de setembro — Tiago Batista, Sem título
  • 2 de outubro — Sara Bichão, Antes que adoeça
  • 6 de outubro — Pedro Henriques, tema livre
  • 9 de outubro — Tomás Cunha Ferreira, Suntitled
  • 12 de outubro — Susana Mendes Silva, Voice-over
  • 14 de outubro — Sara Chang Yan, Space

A mostra pode ser visitada gratuitamente na Assembleia da República e na Casa do Parlamento, em Lisboa, de 23 de julho a 30 de novembro de 2026, normalmente entre as 10h e as 18h, conforme a agenda oficial.

E PELO PODER DE UMA PALAVRA
RECOMEÇO A MINHA VIDA
NASCI PARA TE CONHECER
PARA TE NOMEAR
LIBERDADE

PAUL ELUARD

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