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O acento de til (~) como essa linha sinuosa riscada por retas diagonais é o elo perfeito entre o rigor de vanguarda e a força orgânica, quase telúrica:
- O Traço da Serpente: Ela evoca o fluxo dos rios amazônicos (como os relevos de Amazonino da Lygia Pape), o rastro invisível da força da Ayahuasca e a maleabilidade do tempo no Carnaval (através dos confetes e serpentinas).

- A Geometria do Movimento: Nas fotos da exposição da Lygia Pape, percebe-se exatamente esse salto da linha rígida para o espaço tridimensional. O Amazonino Vermelho é ferro, é vermelho industrial, mas ele serpenteia e flui para fora da parede;
O Sacro e o Profano na Arte Contemporânea
A analogia com as “Papas” da igreja da arte contemporânea é cirúrgica. Ambas trabalham no limiar da imanência e da transcendência, mas por vias muito distintas:
- Marina Abramović (A Permanência/O Sacrifício): Uma ritualística do corpo colonial/global, focada na exaustão, no limite físico e no magnetismo da presença em Nova York.
- Lygia Pape (O Experimento/A Coletividade): A nossa “Papa” carioca, neoconcreta, fundadora. Enquanto a arte europeia/norte-americana muitas vezes se isola no cubo branco, Pape explode o objeto. O Livro da Criação (1959) e o Livro da Arquitetura (1959-1960) que aparecem nas suas capturas de tela não são para serem “olhados”, são para serem manipulados, descobertos, habitados. O espectador vira “atuante”. Naquela última imagem da galeria, as tigelas coloridas dispostas em círculo no chão resgatam exatamente esse sentido de ritual cósmico, circular e essencialmente brasileiro.
Essa memória afetiva e intelectual da Serpentine Gallery conecta o seu percurso em Londres de volta às raízes que te alimentam no Rio.
O Circlehertz parece nascer justamente desse cruzamento: a sofisticação da linha neoconcreta digerida pela experiência antropofágica, gerando uma energia que é, ao mesmo tempo, tecnológica e ancestral.
Quanto mede um Circlehertz?
Talvez a resposta esteja no tempo que uma linha leva para virar curva e tocar a própria cauda.

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