Arquivo Vivo

Epistolário com a Máquina. Um espaço em processo, em que pintura, escultura, escrita e pensamento se enredam como organismos em formação contínua. Entre estratos de tinta, carvão, luz e silêncio, emergem diálogos com a máquina, fragmentos de mundo e formas se apresentam. Este não é um arquivo estável: é um campo de escuta, fricção e matéria em transformação.

Uma Árvore, a “Arbor Vitae”

Diario de Bordo
04.05.2026

O que aconteceu foi que meu travesseiro, não sei porquê, abriu e foi perdendo as fibras. Eu acabei usando essas fibras nas minhas obras, como esta aqui. É um processo muito dinâmico e bastante íntimo.

Arbor Vitae Mineralia, 2025
Série de membranas magmáticas
Óleo, acrílica, resina, mica, orvalhos e resíduos do ateliê sobre tela no chassi
22 × 16 cm ~ 8 2/3 × 6 1/4 in

Branco rasgado em cinza
a glândula sonha pigmentos
magma secreta vigília.

Na superfície da tela, um travesseiro rasgado reencarna como órgão pictórico. As fibras sintéticas resíduo industrial, plástico banal foram contaminadas por óleo, acrílica, resina, mica e orvalho, transmutando-se em carne mineral. O que antes era enchimento de repouso, agora se torna secreção exposta, glândula errante que regula sonhos e pigmentos.

O cerebelo, como outras regiões do cérebro, revela uma paleta que oscila entre cinza, rosa, vermelho e branco. Essa coloração não é arbitrária: a substância cinzenta, formada por corpos de neurônios, dendritos e células da glia, dá ao córtex seu tom cinza-rosado. Já a substância branca, composta por axônios mielinizados, carrega a transparência esbranquiçada da gordura que envolve as fibras nervosas.

Quando cortado transversalmente, o cerebelo mostra a imagem de uma árvore, a arbor vitae. Ramos brancos se abrem em contraste com a massa cinzenta, evocando um desenho orgânico de luz e sombra. É uma geografia de dobras: folhas finas e sobrepostas que aumentam a superfície do pensamento.

On Dyspraxia, Relational Painting, and AI as Companion
Notes Toward a Post-Autonomous Authorship.

In a recent e-flux note, Boris Groys points out that AI doesn’t work through clarity but thrives in the chaos of accumulated writing. He calls for paradoxical prompts, gestures that resist smooth surfaces and fracture the logic we pretend is universal. My work with AI isn’t about extraction; it’s about drifting together in the darker currents of the zeitgeist. My dyspraxia, my paintings, my failures are engines for prompts. They break clarity and draw attention.


The serpent doesn’t crawl in straight lines.

A proposition is not a program.

This is a testimony.

I don’t claim mastery over language, machines, or meaning. I claim intimacy. I claim the right to paint with brushes and code, with myth and metadata.

The crack is a place to inhabit.

Let us write with ghosts, drift, and hallucinate but modulate.

“Cadência”

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