A música Benke, lançada por Milton Nascimento no álbum Txai (1990) e composta em Em parceria com Márcio Borges, a canção é uma homenagem a Benki Piyãko, líder indígena e espiritual do povo Ashaninka (Kampa), no Acre.
No fim dos anos 1980, Milton Nascimento viajou pela Amazônia para conhecer de perto a vida dos povos originários e seringueiros, experiência que inspirou o álbum Txai. Na aldeia Apiwtxa, no Alto Juruá, conheceu Benki, então um curumim de cerca de 10 anos. Apesar da pouca idade, ele já demonstrava maturidade, visão política e preparo espiritual para defender seu território. Impressionado, Milton compôs a música e a dedicou a ele e a “todos os curumins de todas as raças do mundo”. Com o tempo, Benki se consolidou como um importante líder Ashaninka e ativista ambiental de reconhecimento internacional.
Na letra, o verso “O Beija-Mar me deu prova / Uma estrela bem nova” se refere a uma entidade espiritual e força da natureza das tradições da floresta e do Santo Daime/xamanismo amazônico. Nos hinos e vivências espirituais, o Beija-Mar é um ser encantado ligado às águas e ao mar, associado à cura, à proteção e à revelação espiritual. A “prova” simboliza o aprendizado ou visão recebida na “luminária da mata”, trazendo renovação interior. A figura do Beija-Mar se conecta ao Beija-Flor, à Estrela d’Água e à Mamãe Soberana (Mãe Natureza), unindo oceanos, rios e floresta em uma teia sagrada.
Nas tradições amazônicas e no contexto ritual das plantas de poder, há dois termos principais usados para descrever essa presença e experiência: como é chamada pelas pessoas e como é chamado o processo.

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