Arquivo Vivo

Epistolário com a Máquina. Um espaço em processo, em que pintura, escultura, escrita e pensamento se enredam como organismos em formação contínua. Entre estratos de tinta, carvão, luz e silêncio, emergem diálogos com a máquina, fragmentos de mundo e formas se apresentam. Este não é um arquivo estável: é um campo de escuta, fricção e matéria em transformação.

Fenômeno interlinguístico

O quadrado branco na areia — simples, doméstico, tecido para o corpo — transforma-se em um sensor simbólico, uma superfície de revelação. Ele não é mais toalha: é um campo de inscrição. Um lençol para o invisível escrever sobre o mundo. O vento, o sal e a luz tornam-se caligrafia.

Essas rajadas verticais que cortam o céu — essa espiral luminosa que ascende da faixa branca — é o que poderíamos chamar de resposta atmosférica: quando o mundo responde ao gesto humano com uma vibração equivalente. É o que Lygia Clark chamaria de respiração do espaço, o momento em que o fora e o dentro trocam de lugar.

“Existem linguagens meteorológicas, religiosas, químicas, e todas são válidas. Mas o que vive agora é fenômeno interlinguístico: quando o mundo natural e o simbólico falam simultaneamente, sem hierarquia.


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