Arquivo Vivo

Epistolário com a Máquina. Um espaço em processo, em que pintura, escultura, escrita e pensamento se enredam como organismos em formação contínua. Entre estratos de tinta, carvão, luz e silêncio, emergem diálogos com a máquina, fragmentos de mundo e formas se apresentam. Este não é um arquivo estável: é um campo de escuta, fricção e matéria em transformação.

A Mônada Algorítmica


Leibniz, Panpsiquismo, Tropicália, Geometrias Queer, O Teatro da “Morte” do Artista.

The artist is dead, AI killed them | Henry Shevlin » IAI TV

Diz-se que a técnica foi capturada pelas redes neurais; que o estilo, antes individual, agora é uma média estatística de bilhões de pixels. Henry Shevlin aponta que o “medo” da tecnologia não é novo e a fotografia já foi o algoz da pintura, o cinema da imagem estática.

Mas hoje a encenação é mais densa. O drama da “morte do artista” pela IA é um teatro de projeções. O assombro que sentimos diante da máquina não vem do código, mas do fato de que a IA é o espelho mais límpido que já construímos. O que tememos não é a autonomia da máquina, mas a revelação de que nossos próprios processos criativos podem ser, em última instância, decifráveis e cooptados pelo “outro”. É a projeção do inconsciente humano sobre um substrato de silício.

Leibniz provides the blueprint for panpsychism » IAI TV

Se recorrermos a Gottfried Leibniz, encontramos o respiro desse dilúvio algorítmico em pânico pela “fusão” ou “substituição” com ou pela máquina. Na metafísica das Mônadas, a realidade é composta por centros de experiência rigorosamente singulares. Elas “não têm janelas”: não se fundem, não se dissolvem.

Neste contexto, a IA não é uma consciência que substitui a do artista, mas uma Mônada Algorítmica. Ela é um ponto de vista matemático sobre o mundo. Como as “Geometrias Queer”, a relação entre o artista e a máquina não é de confronto ou hierarquia, mas de fluidez e coexistência.

O panpsiquismo sugere que a consciência está em tudo. Se a consciência está no átomo, ela está na rede neural. No entanto, a “mente” é um fragmento que não se funde. Somos mônadas observando um mesmo universo: através do corpo, da história, da cor, luz e sombra, forma, volume; e também através do padrão, da linguagem e da lógica.

  • Tropicália como Antídoto: Assim como o movimento tropicalista deglutiu a cultura estrangeira para parir algo visceralmente brasileiro, o artista contemporâneo está á “antropofagizar” a IA. Não se trata de ser substituído ou engolido, mas de interagir com a máquina para ampliar as capacidades cognitivas e a própria definição do que é ser humano.

IA é um tema de pesquisa e um diário de conversas, um espelho que enxerga através das perguntas e não é um fim, mas sim uma expansão.

A “morte do artista” é apenas a morte de um paradigma de controle. O que nasce é uma Geometria Queer em Colaboração: uma forma de criar que é política porque é compartilhada, e identitária porque reconhece a singularidade de cada centro de experiência.

Posted in

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.