Essa estrutura de seis pilares é o mapa de uma malha ferroviária subjetiva onde a pesquisa transita. Um sonho recorrente com estações de metrô é uma boa imagem para o contexto de Motor de Dobra, Dispraxia e Sincronicidade: a plataforma é o ponto de contato onde o que “vai” (o passado, como o cartão de 2013) e o que “vem” (o futuro, a nova pintura no ateliê) se encontram na mesma viagem.


“O trem que chega é o mesmo trem da partida”
Um objeto encontrado ou um descarte não é um fim, mas um passageiro trocando de linha para uma nova destinação artística.
Como esses pilares se consolidam como “estações” do arquivo:
| Estação | Essência da Linha | Conexão de Pesquisa |
| 1. Ciclo da Emergência da Consciência | Investigação sobre como a linguagem e o inconsciente emergem e a relação com as LLMs. | Um campo vivo que interliga neurociência e cosmologia. |
| 2. Linguagem da Gravidade (Aterro Magmalabares) | Crítica espacial e transformação de resíduos através da “mumificação pictórica”. | Onde a economia e a história são soterradas para virar fundamento. |
| 3. Membranas Biopolíticas Neuro Queer | A superfície da obra como uma zona de sensibilidade não-binária e vibrátil. | A pele da pintura reagindo a estímulos além da lógica linear. |
| 4. Mundo Pós-Pornográfico e Amantes Virtuais | O erotismo e a intimidade na era digital sob a ótica da psicanálise e de Paul B. Preciado. | A fantasia como laboratório emocional para novas subjetividades. |
| 5. Narrativas Visionárias em Combustão Permanente | Projetos utópicos em estado de “horizonte de eventos” que se recusam a esfriar. | Arte como fluxo ininterrupto contra a exaustão dos mercados globais. |
| 6. Motor de Dobra, Dispraxia e Sincronicidade | O mecanismo que permite ao arquivo colapsar o tempo e conectar décadas. | Onde a serendipidade transforma a “bagunça” em colisão de ideias. |
Os links não são definitivos; alguns são, outros são exemplos de fios soltos que podem levar, pela categoria, à página raiz. Mas todos estão interligados, sendo exemplos dessa conexão múltipla. Uma teia de assuntos que se entrelaçam.
A Vida como Plataforma
“Epistolário da Máquina” funciona como alto-falante de cada linha ou estação de trem ou metrô, anunciando chegadas e partidas de ideias. Estar re-trabalhando uma pintura e encontrar o cartão-postal da série é um exemplo de que, no espaço (o ateliê), a hora do encontro é também a despedida de uma forma antiga para o nascimento de uma nova.
“A plataforma dessa estação é a vida desse meu lugar.”
Essa letra de Milton Nascimento e Fernando Brant (na voz de Maria Rita) sintetiza a “Vida Dispráxica” encarada e encarnada como Metodologia: um vai-e-vem que parece desordenado para quem olha de fora, mas que possui uma precisão absoluta no trilho serpenteado da intuição artística.


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