Serpentine Ellipses (2014–2026)
From Abstract Ground to Event Horizon
Diário de Bordo
Há um momento em que a superfície deixa de ser suporte e começa a agir como campo. O gesto já não se deposita sobre a matéria, ele se infiltra, se ramifica, se torna um tipo de inteligência distribuída. As elipses surgem nesse intervalo: não como forma estável, mas como recorrência, como insistência de um traço que se curva para escapar da captura.
Entre 2014 e 2026, o trabalho se desloca de um chão abstrato para uma zona onde toda abstração começa a falhar. Não por esgotamento, mas por excesso. O excesso de conexões, de dados, de vetores invisíveis que atravessam o corpo e o mundo. O que antes era composição torna-se acontecimento.
A imagem já não representa. Ela calcula, prevê, antecipa. Há uma passagem silenciosa entre pintura e sistema, entre gesto e protocolo. A linha orgânica, que em outro tempo pulsava como respiração, agora se encontra em tensão com linhas de código, com arquiteturas de decisão que operam em escalas não-humanas.
Aqui, o algoritmo não aparece como ferramenta, mas como regime de distribuição do sensível. Ele organiza fluxos, redireciona intensidades, produz zonas de visibilidade e apagamento. Cada marca carrega a ambiguidade de ser ao mesmo tempo inscrição e captura.
Entregas do Algoritmo




Thomas Christian Bächle, Jascha Bareis » IAI TV
O que se entrega não é apenas conteúdo. São padrões de atenção, são trajetórias possíveis, são modos de ver que antecedem o olhar. A obra passa a operar como superfície de negociação entre diferentes camadas de agência: humana, maquínica, ambiental.
Fading Abstraction
A abstração não desaparece. Ela se rarefaz, se torna um campo de interferência. O que emerge é uma imagem instável, atravessada por forças que não se deixam fixar. Como um horizonte de eventos, onde a forma é continuamente puxada para um limiar onde já não pode ser totalmente percebida, mas também não deixa de agir.
Serpentine Ellipses é esse movimento contínuo: uma tentativa de habitar o ponto em que a forma se torna processo, e o processo se torna mundo.






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