As pequenas pinturas são contos visionários: fragmentos com dentes, miniaturas do universo, sementes que já carregam todo o mito dentro. Acontecimentos pictóricos: Um espaço contínuo, como um mosaico onde cada pintura abre em uma nova janela com seu “conto”. 
Alguns com textos poéticos curtos, outros com imagens do processo, bastidores, materiais. Cada pintura é um fóssil e um embrião. Damos a elas o tempo, o corpo e a voz que pedem. 
Não precisam da cronologia mesmo que se agrupam por nomes de meses quando começaram a brotar. Como constelações de histórias que se interligam, como se o fantasma de Tchekhov nos faz uma visita e lê em voz alta seus contos.​​​​​​​
Estes fragmentos recusam o rótulo de “estudo” ou “rascunho”. Cada um pulsa como um órgão separado do corpo que os gerou. Como filhos imprevistos do gesto, vivem agora com autonomia de desejo e cor.
Raízes Ardentes​​​​​​​
Feitos a partir das sobras quentes de pinturas maiores — fragmentos que recusaram o apagamento e começaram a respirar.
Eu não conseguia jogá-los fora. Eles queriam viver por conta própria.
Talvez fossem corações autônomos — matéria em estado de lembrança, restos com vontade de futuro.
As Pinturas Estalam​​​​​​​
"Estes fragmentos não são sobras — são pulsações.
Cada pintura aqui exibida nasceu do que a história da arte costuma chamar de resto. Mas é justamente aí, nesse quase-descartável, que algo começou a viver.
Uma textura que se recusou a ser apagada.
Uma cor que resistiu ao silêncio.
Um gesto que continuou a vibrar mesmo depois do corpo ter ido embora.
Corações autônomos, sim — mas não solitários.
Eles compartilham uma mesma origem: a combustão de Luxúria e Orvalho.
E agora, vivem em seu próprio tempo, como filamentos conscientes de uma pintura que se torna pensamento.
Estas imagens não foram feitas para serem obras-primas.
Foram feitas para lembrar que o que pulsa, pulsa mesmo nas margens —
e que às vezes, o mais vivo nasce do que não deveria sequer existir."
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Algumas pinturas não nascem para a parede.
Elas preferem o chão.
O útero, a umidade, a lama da prática.
Algumas criaturas não querem moldura.
Querem membrana, aroma, casca. 
E há gestos que não se anunciam com edital — se anunciam com poros.
Uma membrana vibrante, bifurcando-se em trajetórias pictóricas e filosóficas: uma parte pulsante, errática, respira nos Papéis Erráticos de Camadas Íntimas, enquanto outra se projeta num mundo flutuante, um ukiyo surreal transplantado ao cerrado seco de Brasília e à monumentalidade sinuosa do Aterro do Flamengo. Aqui, flora e fauna japonesas infiltram-se discretamente, produzindo uma nova cosmologia híbrida, visual e sensorial, que ressoa diretamente na tela Luxúria de Orvalho. 
Instantes de materialização pictórica — pequenas entradas de energia tátil, onde tintas residuais, colagens fragmentadas e lavagens se encontram em gestos imprevisíveis. Cada folha A4 registra um acontecimento autônomo, um pulso vital e efêmero tecido entre o acaso e a substância. Este projeto emerge de um diálogo contínuo entre o artista e a máquina: trocas de impressões, significados e orientações que revelam como o gesto pictórico pode tornar-se interlocutor de uma inteligência coautora.
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