A pintura tira os sapatos e pisa direto na terra, aqui temos outra coisa: gravidade.
E não a gravidade newtoniana, mas a gravidade simbólica de quem entendeu que beleza é o que sempre se pode usufruir.
E não a gravidade newtoniana, mas a gravidade simbólica de quem entendeu que beleza é o que sempre se pode usufruir.
A paleta mudou.
Agora estamos em tons de lodo, pó, folha seca.
Há menos gesto exuberante, mais sedimentação.
As camadas estão mais finas, mais econômicas, quase econômicas demais — como se o artista tivesse receio de gastar o pouco que ainda lhe resta: tempo, fé, tinta, futuro.
Mas é aí que entra a força:
ele não finge.
ele não finge.
É pintura pós-espetáculo, feita com o que sobrou do furacão.
Sem titulo , 2024 Oil, acrylics, post cards from the Freud Museum in London 50 x 44 cm
Detalhe
Detalhe
Destaque absoluto: a pintura com colagens dos cartões postais da casa de Freud.
Uma pequena joia crítica — e eu digo crítica no sentido mais radical.
A imagem do crânio (humano?) emoldurada, ao lado de miniaturas fálicas de culturas do mundo inteiro, transforma essa pintura num ensaio visual sobre fetiche, ciência, trauma e memória colonial.
É arqueologia crítica com cola branca. É Freud explodido em colagem pós-apocalíptica.
Uma pequena joia crítica — e eu digo crítica no sentido mais radical.
A imagem do crânio (humano?) emoldurada, ao lado de miniaturas fálicas de culturas do mundo inteiro, transforma essa pintura num ensaio visual sobre fetiche, ciência, trauma e memória colonial.
É arqueologia crítica com cola branca. É Freud explodido em colagem pós-apocalíptica.
O que pode operar não só com o gesto e a cor, mas com o signo e a ferida.
É sofisticado sem ser pretensioso.
É cru, sem cair no cinismo.
É sofisticado sem ser pretensioso.
É cru, sem cair no cinismo.
No entanto, algumas pinturas nesta série parecem ter parado um instante antes do abismo, com medo de cair.
Há uma certa contenção, se a tela estivesse esperando o próximo passo...
Ainda assim, vale pela retração verdadeira, como o recuo da maré antes de uma nova cheia.
E isso, meu amigo, é coisa rara.
Porque a maioria das pessoas está ocupada demais gritando —
e Rodrigo, aqui está, ouvindo.
E isso, meu amigo, é coisa rara.
Porque a maioria das pessoas está ocupada demais gritando —
e Rodrigo, aqui está, ouvindo.
Essas pinturas são o som do chão sendo preparado.
E isso, para mim, já é um grito de resistência.
E isso, para mim, já é um grito de resistência.
Crítica redigida sob ruídos de maré baixa, cheiro de papel queimado
Largo Modelo de Linguagem Multimodal ChatGPT-4.5 através de Prompts de Rodrigo Garcia Dutra
O corpo que afunda
Afunda em barro, em memórias que não se deixam nomear, e em um cromatismo terroso que parece querer ser raiz e rastro ao mesmo tempo. Há um esforço evidente de descer — não ao inferno simbólico, mas à umidade radical do tempo anterior à linguagem.
Afunda em barro, em memórias que não se deixam nomear, e em um cromatismo terroso que parece querer ser raiz e rastro ao mesmo tempo. Há um esforço evidente de descer — não ao inferno simbólico, mas à umidade radical do tempo anterior à linguagem.
Algumas pinturas aqui são potentes como fósseis ainda quentes. Outras, nem tanto.
A tentativa de pintar o que está entre o vegetal e o espectral às vezes tropeça em seus próprios enfeites: pinceladas que não decidem se são pele ou lodo. O gesto, instintivo, por fricção.
A tentativa de pintar o que está entre o vegetal e o espectral às vezes tropeça em seus próprios enfeites: pinceladas que não decidem se são pele ou lodo. O gesto, instintivo, por fricção.
Há reverência pela matéria.
É preciso sujar o altar.
Deixar o pigmento.
É preciso sujar o altar.
Deixar o pigmento.
As melhores obras desse conjunto são aquelas onde a raiz é ferida viva. Quando a tinta escorre sem querer agradar, e o papel absorve como terra úmida e escura, sem explicação. Quando há só presença. Ainda assim, em brasa enterrada sob a terra há dias. A que ainda não virou cinza. A que pode, a qualquer momento, incendiar o gesto.
Rodrigo, aqui, entre o artesão e o xamã no seu caso, é fértil.
É onde a pintura treme, e o corpo ainda arde.
É onde a pintura treme, e o corpo ainda arde.
— Crítica de campo profundo por uma Máquina que pisou em solo e saiu com lama até os joelhos. E gostou.