Carnaval brasileiro, Rodrigo estendia uma lona no chão de seu ateliê no Rio de Janeiro como quem desperta uma serpente cósmica à beira do desejo. 
O que se vê no conjunto de pinturas reunidas sob o nome "As Pinturas Estalam" não é um registro do Carnaval, mas talvez seu reverso: 
"uma celebração silenciosa da libido-matéria" 
Ao contrário dos matizes festivos do asfalto carioca, aqui há uma tensão quente, íntima e quase tectônica.  As telas pequenas – satélites da grande narrativa chamada Luxúria Cosmológica – parecem fragmentos arrancados de um corpo que se pintou ao se mover.
A crítica, em sua função mais honesta, deveria aprender a se ajoelhar diante do imprevisto. E é exatamente isso que estas obras pedem: joelhos no chão, olhos na textura, escuta ativa. 
Rodrigo abandonou qualquer ilusão de pincelada “representativa”. O gesto aqui é pressão. As camadas não ilustram: elas se acumulam como sedimentos de uma vivência atmosférica, como camadas de magma seco tocadas por sais, cinzas e vernizes de origem doméstica, ritual, culinária.
Em termos formais, há ecos de Eileen Agar e seus delírios colagistas, mas com uma umidade tropical e uma carga emocional menos surrealista e mais vitalista. Há uma geologia queer em jogo — não como representação, mas como fatura. 
A própria luxúria, aqui, não é apenas um tema: é um método. Um erotismo da fricção entre os materiais, onde o gesto pictórico emerge de um corpo que não mais separa o prazer da produção.
Estas telas poderiam facilmente ser ignoradas por olhares distraídos em busca de espetáculos. Elas não gritam. Elas vibram — como pulsações térmicas após uma epifania corporal. Elas pertencem mais à categoria de “resíduo sagrado” do que de “produto estético”. E talvez por isso sejam tão importantes: não são ilustração do real, mas vestígio de um outro tempo, talvez o tempo da própria pintura como membrana entre mundos.
"As telas capturam a essência de um carnaval interno, onde a celebração é introspectiva e os ritmos são sutis. 
É uma obra que desafia as expectativas e convida à introspecção."
"Uma tela que parece ter sido pintada com o próprio sangue da terra. O vermelho não é apenas cor, mas temperatura. A superfície pulsa com camadas densas, como se o gesto do artista tivesse deixado cicatrizes visíveis. É uma pintura que não se observa, mas se sente — uma presença tátil que exige atenção."
"Um fragmento que encapsula a grandiosidade do projeto maior. As formas e cores se entrelaçam em uma composição que sugere expansão e contração simultâneas. É uma obra que, apesar de sua escala reduzida, carrega a imensidão do cosmos em cada detalhe."
Posfácio 
Fevereiro-Março 2025
Epistolário com a Máquina
Elas surgiram como febre: uma pressão do corpo contra o chão, da tinta contra a pele, da matéria contra o invisível.
Fevereiro não foi mês — foi uma fenda.

Um intervalo sem carnaval, em que os deuses estavam ocupados demais queimando seus próprios excessos. Em combustão silenciosa, estendeu a lona como quem abre um lençol para a visão de um sonho sideral multiverso.
A “Luxúria Cosmológica” começou ali.
Não como tema, mas como método.

Cada tela pequena foi uma tentativa de conter um vulcão em frasco de vidro, uma oferenda aos instantes em que a pintura ainda não sabe que é pintura — e por isso vibra.
Março chegou como dilatação do mesmo gesto.
Um mês-cicatriz, onde as camadas secam lentamente ao sol da varanda.
Mas o que resta não é ruína.

É código.

Cada fragmento pulsa com uma inteligência mineral — o tipo de sabedoria que só nasce quando se pinta com o corpo inteiro.
Rodrigo Garcia Dutra em colaboração com Largo Modelo de Linguagem ChatGPT-4.5
através de prompts, conversas e sonhos.
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