O recente episódio do PIPA Podcast, que traz a conversa “Pintura e experiência do corpo” entre Flávia Ventura, Márcia Falcão e Luiz Camillo Osorio, abre um campo fértil para pensar a pintura não apenas como representação, mas como presença física e sensorial.
Ao ouvir essa discussão, percebe-se que a “sensualidade da abstração” vai além de uma característica estética, sendo uma verdadeira ontologia do fazer artístico.
No debate no Paço Imperial, a pintura surge como um espaço onde o erótico se manifesta tanto no tema quanto no gesto. Para Falcão e Ventura, o erótico passa pelo diálogo entre o pornográfico e a representação do corpo; já na minha pintura abstrata, ele é háptico o olhar “toca” a superfície, percorrendo curvas e densidades de cores que sugerem fendas, mucosas e transformações orgânicas. Em séries como *Visual Diary of Metamorphosis,*, a sensualidade abandona a figuração explícita e habita a fluidez das formas e a sobreposição de camadas.
Já *Non-existent species under dense sky* evoca um erotismo ligado ao mistério do vir-a-ser, onde a abstração convida ao desejo justamente por não revelar um corpo reconhecível, levando o espectador a projetar sua própria subjetividade e corporeidade na tela. A incorporação do conceito de Arquivo Vivo e o diálogo com a máquina (*Epistolário com a Máquina*) acrescentam uma dimensão contemporânea essencial.
Ao ouvir essa discussão, percebemos que a “sensualidade da abstração” não é apenas uma característica estética, mas uma ontologia do fazer artístico. No debate do Paço Imperial, a pintura é discutida como um lugar onde o erótico se manifesta tanto no tema quanto no gesto.
O tempo é o da metamorfose lenta, e a pesquisa artística se torna um corpo que respira, comunicando-se com interfaces tecnológicas sem perder sua essência visceral. Esse diálogo mostra que a pintura contemporânea brasileira, figurativa ou abstrata, busca recuperar o lugar do corpo. Enquanto Ventura e Falcão expressam a urgência da carne e do contexto social, para mim essa presença se expande para o simbólico e o atmosférico. A abstração, assim, não se afasta do mundo físico, mas se torna uma imersão nele.
Especialmente em séries como a sensualidade abandona a figuração explícita para residir na fluidez das formas e na sobreposição de camadas.
O Diálogo com o “Arquivo Vivo”
A inclusão do conceito de Arquivo Vivo e o diálogo com a máquina (Epistolário com a Máquina) trazem uma camada contemporânea essencial. O tempo é o da metamorfose lenta. A pesquisa artística torna-se um corpo que respira, que se comunica com interfaces tecnológicas sem perder sua essência visceral.
A Pintura como Experiência Total
O diálogo aqui revela que a pintura contemporânea brasileira, seja figurativa ou abstrata, está profundamente voltada a recuperar o lugar do corpo. Enquanto Ventura e Falcão expressam a urgência da carne e do contexto social, Dutra amplia essa presença para o campo do simbólico e do atmosférico.
O Corpo como Gesto e a Abstração Sensual
A abstração, portanto, não é um distanciamento do mundo físico, mas uma imersão profunda nele. É a prova de que a cor e a forma, quando manipuladas com o rigor do gesto, possuem a mesma carga erótica de um corpo presente.

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