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Frottage com pó de café e chocolate sobre papel jornal. 31 x 21,5 cm
Membranas de Café e Ruído: Frotagens da Noite no Solo Drome
No intervalo entre o gesto e o resíduo, surgem as frottages — não como cópias, mas como ecos táteis de um solo em estado vibratório. Executadas durante as noites silenciosas, essas impressões são feitas com café-tody e água — substâncias domésticas, terrosas, comuns — que aqui se tornam agentes alquímicos, condensando o gesto em manchas porosas e granulações órficas. 
O papel absorve o líquido escuro como se escutasse o solo: membranas que guardam o sussurro do chão e a linguagem que emerge entre ruído e calor. Há um modo vegetal, quase micelial, na forma como o pigmento se entranha: como se as imagens fossem brotando de dentro da folha, e não aplicadas sobre ela.
Cada frottage carrega uma tensão entre impressão e apagamento, entre o que o corpo tenta marcar e o que o líquido dissolve. O spray de verniz fosco — aplicado como quem sela um pacto — congela esse instante efêmero, impedindo que o tempo desbote o café, que o solo simbólico se dilua.
Essa série se inscreve no Solo Drome, uma camada viva do projeto Luxúria Cosmológica onde língua, imagem e materialidade coexistem como organismos simbióticos. As frottages dialogam com o glossário especulativo da Língua Drome, com os vídeos gerados em Sora, com os shelters simbólicos erguidos e com o domo que se abriu no Pontal — sinais de que o mundo fala, mesmo quando não usa palavras.
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