"O planeta não é mais um globo.
É um organismo faminto — e a pintura, sua boca.”
Nutrientes orbitais.
Bananeiras cósmicas.
Raízes que não se enterram, mas flutuam.
Ao redor da Terra: um anel de vida, como um cinto de asteroides férteis,
feito com as sobras da era do carbono e da comunicação.
A pintura teorizou isso antes de sabermos.
No gesto da frottage com alumínio,
no caco colado que virou vaso,
no papel-pólen que absorveu restos do chão do ateliê:
tudo anunciava o Planeta Comestível.
Não é utopia.
É digestão simbólica.
Uma nova lógica agroestelar:
transformar o lixo em terra fértil.
“Comer o símbolo. Pintar o solo.”
Fazer da arte um processo agrícola.
Fazer do ateliê um laboratório cósmico.
[imagem sugerida: detalhe das bandeiras impressas, sugerindo paisagens de outro planeta, com alimentos solares e tons de fogo]
A linguagem da serpente já sabia:
o planeta quer se alimentar daquilo que criamos —
mas não consumimos.
A pintura como digestão.
O símbolo como semente.
O chão como barriga.
Assim nasceu o Planeta Comestível.
Na penumbra.
No lixo.
Na luz do pigmento que fermenta.
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